segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Já vai tarde, querido

Ou: Resumão 2015

Ano passado, já na pilha de minha primeira viagem, programei um post sobre o que tinha sido 2014. Em comparação com o trem errado que foi 2015, 2014 já não parece tão mediano ou ruim assim. 

2015, numa percepção geral, foi um murro na cara de muita gente. Foi pesado, foi difícil, mas no final da somatória, até que foi rápido. 

Na virada do ano, enquanto cantava Taylor Swift e corria por ruas de Londres gritando groselha vulgar, abraçando italianos e bebendo moscatel rosé barata, eu não pensei que o ano ia tirar tanta coisa fora do lugar de um lado, e ajeitar tanto de outro. 

Em janeiro, logo ao voltar da viagem, consolei uma melhor amiga que perdia uma pessoa importante; levei um bode da cor do meu quarto e taquei tinta na parede e pintei!!! parte dele; e, também, fui na minha primeira festa do ano e é claro que bebi muito, fiz merda, falei demais e agradeço por isso. 

Em fevereiro terminei de assistir Friends, maratonei os filmes do Oscar, fui em outra festa, assinei um contrato verbal com os meus amigos e dei uns beijos no meu melhor amigo just because. Porque eu quis. Porque sim. Porque, graças a Deus, fiz umas coisas certas em 2015 e isso foi uma delas. E olha só, percebi que não custa nada dar uma chance pras coisas, não custa nada nos permitir sentir um pouco. É uma maldição e uma benção, mas isso depende do nosso ponto de vista. 

Março foi o mês das tretas. Larguei e fui largada pro mundo, lavei as mãos de coisas que não podia controlar, não queria controlar, e não precisava também. A gente tem essa mania louca de achar que tem que manter todo mundo na nossa vida quando na real o mundo gira, e isso não quer dizer que o que se teve foi ruim, só que o mundo girou e as coisas que antes podiam ter uma sintonia, não têm mais. Coisas da vida, né? 

Durante esses meses, e alguns depois desses, sofri com a adolescência que nunca me deixou e que minou meu rosto de acne, tudo isso porque fiz a loucurada de largar aquela pílula-da-neurose na porra louca, e meu corpo, por reflexo, sofrer as consequências. Voltei pra ela, é claro. Já fui em médica, fiz exames, tirei todas as dúvidas, e prefiro assim do que com a auto-estima no pé, com vontade de morrer ou com filho

Ainda no terceiro mês do ano, assisti um acústico da Fresno num dos lugares onde mais curtia ir e que fechou as portinhas alguns meses depois, pra minha tristeza. Minha fase emo nunca realmente superada adorou gritar a letra de Onde Está com mais trezentas pessoas do lado. 

Em abril fui pra SC com os amigos. Fui pro Beto Carrero com alguma das minhas pessoas favoritas, apesar dos arranca rabos que eventualmente acontecem. Tomei aproximadamente 207 caldos naquela praia linda de Penha. Tomei umas cervejas também. Foi uma viagem bem cansativa, mas é incrível o quanto molhar a bunda na água salgada sempre faz bem e lava a alma.

Acho que mais do que descer pra Porto Alegre festar, maio foi marcante pelo prato de arroz, batata frita, salada e picanha acebolada que eu comi. Eu me apaixonei por aquele negócio de uma maneira que, bem, sete meses depois eu ainda tô falando sobre um prato de comida. 

Se alguma coisa relevante em junho aconteceu, não foi relevante o suficiente, porque das coisas que eu lembro de junho são coisa nenhuma. 

Julho é o mês do meu aniversário. Pela primeira vez na vida tive uma festa legal de aniversário (a primeira, de duas que eu ~fui~). Tinha tudo pra dar errado e ser uma completa porcaria. Mas foi legal, so there's that

De agosto até agora tudo passou voando, rápido demais, e marcado por um extremo cansaço. Passei um mês escrevendo todos os dias e me admirei. Fui pra praia com os meus amigos e passei bem. Fui pra capital assistir o show do Loser Manos e fangirlei. Maratonei Mad Men e adorei. Fiquei meio erradinha, mas ainda não melhorei. 

Em comparação, o primeiro semestre poderia ter sido melhor, mas tinha muita vibe errada dentro de mim. Foi um semestre de transição, de tentar organizar as coisas pra que elas dessem certo. Ao lado disso, só fiz disciplinas bostas embora tenha ido bem em todas. Em conjunto, essa foi a época em que mais fiquei sem dinheiro na vida. Foi por uma boa causa (a viagem planejada nas coxas) e que me ensinou que eu posso ficar sem comprar coisas desnecessárias, mas que também é um saco não poder gastar com lazer. As tags do primeiro semestre foram falta de dinheiro, brigas e baixa auto-estima.

O segundo semestre me colocou numa pilha louca pois o ambiente em casa pesou muito. Eu, sabendo lidar com as coisas do jeito que sei, absorvo tudo até que em uma hora aleatória tudo estoura nas minhas fuças. Minhas disciplinas não melhoraram mas eu ainda assim fui bem, apesar de ter relaxado um pouco com a vida acadêmica (eu não aguento mais pelo amor da deusa!!!!!!!). Comecei um álbum no celular com todas as cervejas diferentes e boas que eu ando experimentando. E solidifiquei a ideia de que é bom ter alguém pra fazer nada junto. Ah, nesse semestre eu peguei, de verdade, num controle de videogame depois de anos sem jogar nada. Sou péssima, mas o trem até que é legal, né? O segundo semestre tem as tags: cansaço, estresse, correria, corpo bugado, cerveja boa e boa companhia. 

***

Tirando de lado a vida pessoal, o ano no mundo foi dolorido. Entrar na internet têm sido um exercício de paciência e por vezes, desprazerosa. É tragédia, violência, gente falando bosta e treta pra todos os lados. Há muita gana em provocar ataques pessoais, desrespeitar crenças e debochar de gostos particulares. Pra mim, que sempre gostei de ganhar ou gastar horas com everything-internet, tenho apreciado mais os momentos em que fico longe dela. Jogando The Sims, maybe.

Sei que tem muita gente boa e linda nesse mundão internético e real, mas tem muita coisa errada também. E a maldição de nos permitir sentir, é que dá abertura a sentir tudo, até a ficar mal com coisa que acontece nas redes ou do outro lado do mundo. Infelizmente ainda não criaram um filtro pra filtrar o que vai nos deixar mal. E cagar regra dizendo que o coleguinha não tem direito de se sentir mal por x ou y tá longe de ser aceitável. 

***

Há semanas estou num countdown ferrenho esperando que esse ano acabe logo, que minhas férias cheguem logo. Planejo beber muitas cervejas boas e ficar horas de pernas pro ar fazendo um montão de nada. Planejo comer bem, descansar muito, dormir bastante. Ler, assistir série, amar um pouco e passear com a Luninha. 

Virar o calendário sempre me deu aquela sensação de recomeço, e mesmo que as coisas não mudem, a gente sempre dá um jeitinho de acreditar que aquele ano vai ser diferente. 

Eu sei que 2016 vai ser difícil pois vou começar a entrar na reta final do curso de graduação, mas eu tenho muita fé de que as coisas vão ser mais calmas, que o cansaço não vai ser tanto, que o estresse vai ser menor. Eu tenho muita fé nisso porque eu preciso disso. Eu preciso acreditar que vai ser melhor, tanto pra mim, quanto pra todo mundo. 

8 comentários

  1. Que ano foi 2015 não é mesmo? Ando comemorando cada dia que se passa para que eu possa entrar em 2016 sã.
    Seu ano parece que foi muito bom do jeito que você conta, sabe? Tanta coisa aconteceu (tô besta em como você lembra das coisas HAHAHA), mas só você quem sabe a barra que foi, né. Acho que 2015 forçou a barra pra todo mundo. QUE ANO APÁTICO, meu senhor. No momento só estou ORANDO todas as noites para que 2016 traga mais esperança pra humanidade em geral.
    Por enquanto vou vivendo em piloto automático.
    Contemos juntas pra essa virada. <3

    Beijos <3

    ResponderExcluir
  2. Eu nem sei se quero que o ano termine assim, tão rápido. Nem parece que fiz nada de mais em 2015. O que eu sei é que foi outro ano de encerrar amizades que não estavam indo pra lugar nenhum e de me conformar com outras amizades que viraram pó de giz em um tufão. As lágrimas secaram, mas a pontada no coração leva mais tempo.
    Como tem muita gente com grandes expectativas para 2016, talvez todo esse carma místico aja como uma força invisível capaz de nos trazer um pouco de solicitude. E conquistas. Vai que dá certo? :)

    ResponderExcluir
  3. 2015 parece que foi um ano pesado pra todo mundo. Mas que bom que você conseguiu aproveitar pelo menos um pouco, nem que tenha sido naquele prato de comida, HUHAUAHUA.

    Olha, eu amo Fresno. Não te julgo nem um pouco por ter ido vê-los ao vivo, hahaha.

    Esse segundo semestre de 2015 foi meio pesado aqui em casa também, com a situação da minha mãe no hospital e tals. Tá tudo bem agora, mas foi bem difícil.

    Beijinhos.

    ResponderExcluir
  4. Realmente 2015 foi um murro na nossa cara! hahaha
    Eu sempre gosto mais do segundo semestre do ano, não importa de qual ano seja, parece que o começo do ano é sempre mais doido, pelo menos em questões pessoais..
    Mas realmente esse 2015 foi um teste de paciência enorme entrar na internet e ver todas as bostas faladas sobre todos os assuntos e toda a intolerancia das pessoas.. =/

    Espero que teu 2016 seja muito melhor! :)

    ResponderExcluir
  5. 2015 foi muito intenso pra todo mundo, né? Pro lado bom e pro lado ruim. Pra mim ele foi rápido e eterno ao mesmo tempo, penso em quem eu era e onde estava no carnaval e parece que anos se passaram, ainda que fique com essa sensação eterna de que pisquei e o ano acabou. Ainda lembro do seu post se despedindo pra ir curtir o ano novo na Europa, hehe. Me identifiquei muito com a vibe do se permitir sentir, tanto do lado bom, como do lado ruim. 2015 foi uma revolução emocional na minha vida e não é mole brincar com ~sentimentos~, mas estamos aprendendo. Acho que muitas coisas aconteceram e agora é hora de ir juntando os pedaços, na esperança de que 2016 nos dê um pouquinho de fôlego e inspiração pra fazer dessa bagunça algo melhor e bonito. Sou uma otimista incurável e sempre acredito que depois do tsunami vem a calmaria, então vamos vivendo.

    Bom restinho de ano, ótimas férias e se não aparecer aqui antes, um ano novo lindo pra você <3

    ResponderExcluir
  6. Fico impressionada com a tua capacidade de fazer retrospectiva mês a mês e saber direitinho o que aconteceu em cada um.

    2015 por aqui foi um ano de bosta, aconteceram coisas que me deixaram sem saber o que fazer além de deitar na minha cama e chorar, ir pro banheiro chorar, e a sensação estranha que eu não podia... me sentir... feliz. Mas acho que passou. Mudar o ano no calendário é simbólico, mas coisas simbólicas podem ter uma porção de significado, então estou esperando pelo dia 31 pra deixar essas coisas pra trás (e, nossa, como aconteceu coisa horrível no mundo todo em 2015, acho até estranho quando alguém comemora que o ano tenha sido incrível - embora fique feliz por elas, que bom que esse ano foi de fato incrível pra alguém!)

    Bom finzinho de ano, divirta-se fazendo vários nada e todas as coisas que tu gosta :) Beijo!

    ResponderExcluir
  7. Miga, fiquei o dia todo com o comentário pra esse post na cabeça e quando consigo vir aqui comentar: PUFF!
    Mas em resumo: vamos todos nos abraçar, dar as mãos e sair correndo desse ano desgramento que só trouxe dor de cabeça para todos nós. Vamos deixar apenas o que foi bom e esquecer todo o resto porque DEUZOLIVRE!

    força e beijos <3

    ResponderExcluir
  8. 2015 deu errado e foi para todo mundo, é o que parece. Foi estressante, degastante e ainda bem que está acabando, não que tenha sido -apenas- desgraças, mas que teve problema, teve.

    Acho tão valido o que você falou no fim do post, sobre acreditar, também preciso muito disso, preciso muito ter fé que 2016 vai ser melhor, pois se não what is the point?

    Já pode desejar feliz natal? Haha.
    Feliz Natal! Aproveite muito suas férias! E beijos!

    ResponderExcluir

© OH SO FANGIRL
Maira Gall