Esse post é patrocinado pela A Tentiada é Free: não sei fazer, mas vou tentar.
Esse post também é patrocinado e originado pelo Grupo de Suporte Bloguístico pelo tema: música em crônica. A música escolhida pela Maria para mim foi: Cath... do Death Cab for Cutie.
E, por último, esse post é patrocinado pela banda da minha vida.
Oi, como você está?
Para ler ouvindo.
Oi, como você está?
Hoje eu quero te contar uma história.
Não, essa não vai ser a história sobre o dia em que eu passei horas no corredor do hospital e acabei ouvindo de bocas médicas que iria perder o amor da minha vida. Eu poderia te contar essa história, mas não vou. Vou te contar a história sobre a Cath, minha melhor amiga.
Cath e eu crescemos juntas e embora tivéssemos nossas desavenças, que ainda eventualmente acontecem, nós sempre estivemos lá uma para a outra. Ela esteve do meu lado quando eu perdi minha mãe, eu estive do lado dela quando ela perdeu o irmão. Anos mais tarde ela segurou minha mão quando o caixão de Ben fora enfiado numa daquelas gavetas horríveis. Eu aprendi a lidar com o som deles empurrando, literalmente, uma caixa com um corpo pra dentro de uma gaveta de cimento. Aprendi a lidar, mas nunca esqueci. Cath implora-me pra esquecer, eu não consigo. Ela diz que eu tenho que seguir com a minha vida, e isso tem sido difícil.
Diferente de mim, que tenho o cabelo escuro e cacheado, Cath tem um cabelo loiro muito bonito e liso. Ela sempre manteve ele na altura da cintura mas recentemente cortou na altura dos ombros porque o marido (Cath casou! eu vou chegar lá) dela gosta assim. Ela tenta me convencer de que prefere assim também, porque agora ela cresceu e não tem mais tempo pra cuidar do cabelo, mas algo na voz dela não me faz acreditar nisso.
Uma coisa que você precisa saber sobre a Catherine (para os não-íntimos) é que ela tem uma mania ridícula (eu constantemente falo isso para ela) de querer resolver tudo sozinha. Uma vez quando éramos crianças ela pisou num caco de vidro e acreditava fortemente que seria capaz de tirar o pedaço ensanguentado do pé sozinha. Ela não conseguiu, é claro, mas ela ainda defende a ideia de que conseguiria.
Certo dia, dando o braço a torcer, ela me disse que não sabia se estava fazendo a escolha certa ̶ ela não sabia se estava escolhendo o cara certo, se Andy era o cara certo.
E sinceramente, eu não acho que ela o fez. Digo, a escolha certa. Eu estive com Ben desde a época da escola, mas Cath sempre fora cheia de opções. Ninguém que conhece ela não se encanta. A minha amiga é realmente tudo isso. E Andy nunca me pareceu o cara pra ela. Ninguém manda no coração e todos raramente escutam conselhos, então guardei minhas opiniões para mim.
Cath é formada em medicina veterinária e tem o melhor coração que alguém poderia ter, mas ela também é muito fechada. Passei a vida inteira ouvindo o quanto ela não queria se casar porque não acreditava em casamento, eu falei pra ela que ela era boba porque casamentos poderiam dar certo (o destino riu da minha cara e me fez viúva mesmo assim).
No dia do casamento dela ela usou o meu vestido. É de segunda mão e já o era quando eu casei sete anos atrás. Eu fui madrinha, como era esperado, e lá do lado dela no altar eu vi que o sorriso de Cath não chegava no olhar, enquanto o de Andy, que sempre quis casar, parecia soltar-lhe pra fora das orelhas. Cath era ótima com animais e péssima com crianças, o sorriso do dia do casório me lembrou o sorriso que ela deu certa vez para a mãe de uma amiga da sua família enquanto segurava o novo bebê da matriarca. Era um sorriso de eu-não-faço-a-mínima-ideia-do-que-estou-fazendo misturado com eu-preferia-estar-fazendo-outra-coisa.
Entre os poucos convidados, haviam dois ou três amigos que sempre gostaram muito de Cath. Eu até arrisco dizer que eles chegaram a amar Cath durante o pouco tempo em que ela passou com eles. Amores de escola e amores de faculdade, todos com suas respectivas vidas. A vida segue, Cath diz.
Hoje em dia eu e ela não nos vemos com tanta frequência, mas quando nos vemos parece que nada mudou. Essa semana ela enviou-me uma mensagem dizendo que estava sentindo-se muito mal porque não conseguia engravidar e sentia Andy ressentido e distante por esse motivo. Eu falei pra ela não se preocupar com essas coisas pois adoção sempre seria uma opção, e por óbvio não mencionei o fato de que ela nunca quisera crianças e que parecia que ela estava vivendo o sonho de outra pessoa, não o dela. Ninguém quer ouvir isso, eu acho.
Sinto-me meio-amarga por Cath. Ela sempre fizera boas escolhas e sempre teve o controle de sua própria vida, respeito-a por isso e não a posso julgar. Em contrapeso, ela parece tão infeliz tentando fazer os outros felizes, ela parece esmagada pelo peso do mundo e ainda assim crê fortemente que assim que tem ser. A vida segue... uma hora melhora... eu tô bem!, diz a Cath.
Estou escrevendo-lhe essa carta porque preciso saber se a vida adulta é sempre assim: um pensar e não falar? Um escolher e ter que lidar com essas escolhas paralisados de medo de que algo dê errado? Eu sei que fazemos concessões e que nem tudo é fácil, mas poderia ser mais doce? Fica mais doce? Mais leve? Até que ponto é ok conceder? Relacionamentos são fáceis e fluem bem ou precisamos nos esforçar pra que algo dê certo?
Por favor, não esqueça de escrever de volta. Eu amo muito a Cath e quero mostrar para ela a resposta.
Com amor,
Sarah.
BEDA (blog everyday in august) #23