sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Manifesto em favor de sair a hora que eu quiser

Eu sei que pelo título parece que eu vou reclamar do meu medão e ódio de sair na rua e ter que lidar com fiu-fiu não requisitado, ou sobre ter que procurar a chave ainda dentro do buzão pra não ficar parada na frente de casa, ou ter que andar olhando pra trás com medo não de demônios, mas de homem mesmo estupro, ou sobre me negar a andar na rua de noite. Coisas básicas, as minas sabem. 

O texto poderia ser sobre isso, mas não vai ser. Esse aqui é algo que se eu pudesse eu enviaria pros meus professores acadêmicos pra eles enfiarem na cabeça que a) não sou criança, eles não tem responsabilidade sob mim durante o horário de aula e b) não sou obrigada.  

Antes de mais nada deixa eu explicar pra vocês como funcionam minhas aulas. Primeiramente, eu estudo em uma universidade privada. Eu tenho que pagar pra estudar porque aqui não tem federal, e me manter em outra cidade pra fazer federal, monetariamente falando, não seria vantagem (até porque não tenho cacife pra isso, rs). Então eu pago pra estudar (uma parte, o governo paga a outra e depois eu chorando vou pagar pra eles de volta). 

Em segundo lugar, eu estudo de noite. Na maior parte do tempo. Vez que outra, feito o último e esse semestre, eu consigo remanejar umas horinhas no trabalho e fazer uma aula no vespertino ou meio vespertino.

Meio vespertino, que é isso?

É o que nos leva ao terceiro lugar. Normalmente, em cursos normais, você tem uma aula inteira que, num exemplo, começaria às 19h30 e terminaria às 22h30, correto? Não. Não pra mim. Porque numa ideia maravilhosamente besta dos coordenadores do meu curso, eles acharam ser de boa ideia quebrar aulas em dois dias. 

Então eu tenho três aulas segunda, uma das 18h às 19h30, outra das 19h30 às 21h e outra das 21h às 22h30 (em tese, porque nunca vai até esse horário pra mim e sim até 22h15/22h20 no máximo). Essas mesmas aulas eu terei na quarta, mas em ordens diferentes (com exceção da primeira). O mesmo acontece terça e quinta, mas só no período da noite. 

Ou seja, uma bagunça.

Dizem que o rendimento dos alunos aumentou, porque aí não precisamos ficar três horas fingindo que prestamos atenção numa mesma coisa. Mas na prática, a teoria é outra. Afinal, depois de um tempo, encaixar as matérias é difícil, na última aula ninguém presta atenção de qualquer maneira, e fazer prova correndo não é lá muito divertido. 

***

No geral, eu não consigo prestar atenção em aulas. Eu me esforço muito, de verdade, e num dia bom eu consigo prestar atenção durante metade do período. Na outra metade quando dou por mim já estou há sete minutos encarando os cantos das paredes ou a tela do celular. 

Mas veja lá, eu talvez tenha meus motivos (dois, hehe):

1) Eu sou uma pessoa visual. Então não importa se a melhor pessoa do mundo está me explicando as coisas, se eu não tirar um tempo pra anotar tudo a mão, não vai servir de nada. Assim sendo, quando vou estudar eu preciso parar com livros, polígrafos e anotações e fazer um resumo pra poder enfiar algo pra dentro da minha cabeça. Só ler e ouvir não vai adiantar. 

2) Não consigo prestar atenção ou estudar dividindo a sala com mais 32 pessoas. Nunca participei de grupos de estudos e só de ver alguém do meu lado eu já desconcentro. Todas as vezes que paguei de wannabe boa aluna e tentei estudar na biblioteca da universidade eu saí de lá frustrada, porque o barulhinho de cochicho, teclado, folha virando e abre e fecha porta me colocavam em outra dimensão  uma em que o estudo é impossível.

Por esses dois motivos eu só estudo sozinha, enfurnada no meu quarto, com livros, anotações, papel e caneta. Sem professor, sem alguém pra estudar comigo. 

Eu aprendo porque me coloco a aprender, e não só porque ouvi uma hora e meia de professor explicando lei (eu faço direito, gente, isso é um fator importantíssimo aqui).


***

Dito isso, eu posso abrir meu coração. 

Por que, meu Deus, presença é tão importante? Eu não falto muita aula porque me sinto culpada (nasci com tendências escolares nerds, mas sem a capacidade pra ser nerd escolar) e porque meus pais sempre reclamam. Mas não entra na minha cabeça que eu precise escutar três horas de blablablá com slide só pra responder uma chamada e dizer que estive aqui! presente!, embora eu facilmente pudesse estar em casa lendo receita e aproveitando mais. 

Tanto faz que eu vá bem nas minhas provas e nos meus trabalhos se eu não tiver presença, né? ...Tipo??? Isso é realmente tão importante assim? É um fator definidor de caráter que algumas aulas eu simplesmente não esteja a fim e que de fato eu não aproveito mais de 15% em sala de aula? 

"Ahhh então tu não gosta do teu curso" gente, Direito não é lá muito divertido, mas eu gosto da área. O que me quebra as pernas é ficar ouvindo sobre inquérito policial durante 7 aulas sendo que eu nem gosto de penal sendo que a única coisa que vai me fazer entender isso é parar e estudar sozinha em casa. E eu não aguento mais ir pra universidade. NA SINCERIDADE. Eu só quero me formar, eu só quero me formar, acabar com isso, terminar, pelamor de Deus, eu quero me formar. 

Não sei quem disse que universidade é só flores porque não é não. Eu tenho tanto professor ruim e mediano que talvez esse seja um dos outros fatores do porquê eu não tô a fim.

Esses dias um professor meu, um mala sem alça, péssimo, sem didática, que se acha engraçadinho, e vai pra aula e passa slide, vídeo e fica sentado falando, fez um comentário muito escroto. O causo vai mais ou menos assim:

A aula começou às 21h, ele saiu, foi tomar café e voltou quinze minutos depois. Nisso, atrasado, ele começou a falar coisa que eu nem tchu, e eu ali só matando tempo esperando pra vazar. Alguém então pertinentemente pede da chamada e ele chora porque "vocês vão me deixar aqui falando pras paredes" (culpa sua, né, amor?), porque veja só, outra coisa que você assume (ou deveria assumir) sobre quem estuda de noite é que as pessoas trabalharam o dia inteiro e estão cansadas, muitas delas precisam pegar ônibus pra ir embora (van no meu caso), muitas moram em outra cidade, e por assim o ser você não vai CUZANTEMENTE deixar a chamada pras 22h20min da noite, né? Eis que ali por volta das 21h45 uma moça levanta e vai embora e logo que ela sai ele vira pra turma e solta um:

- Ela sempre chega depois e sai antes. Por mim tudo bem (we can see that, chorão), vocês que jogam dinheiro fora (jogo meu tempo também quando fico aqui te ouvindo).

TIPO, MIGO, VAI TOMAR NO SEU CU???????? (mal ele sabia que esse é o horário em que EU também vazo das aulas porque eu gosto de pegar uma vanzinha que sai antes e me compra meia hora de bônus na noite versus meia hora ouvindo merda em sala de aula  essa meia hora é meu momento de tentar comer algo, dar uma mexida no PC, ver um ep de comédia, LAVAR A MENTE, sabe? ou seje, vazo antes mesmo)

Aí um moço também levanta e vai embora logo em seguida. O professor encara ele enquanto ele sai e fica ironicamente dando risada depois. 

Eu achando muito engraçado a frustração dele peguei minhas trouxas e vazei. 

Imagino o tipo de comentário que ele fez quando eu fechei a porta.


Tudo o que eu pensava era "they see me rolling, they hating" porque BREAKING NEWS: não sou obrigada. 

Isso foi de encontro com outra coisa que me aconteceu logo no começo das aulas. 

A cota professora sonífero desse semestre estava falando sobre casamento e basicamente explicando em voz alta o que ela tinha explicado num polígrafo que ela disponibilizou para os alunos. Que que eu fiz? Peguei minhas trouxas e vazei com a minha colega. 

Aí a mulher ficou quieta esperando a gente sair, virando um pimentão de tão vermelha, quase explodindo do que imagino ser raiva. Eu achei que ela fosse tacar um giz em mim, mas muié, relaxa.

(agora ela não fica mais vermelha, nem brava, e só ignora e segue a vida)

Eu não converso na aula (e odeio quando fazem isso), eu não deixo de entregar trabalhos, eu não choro nota pra professor, eu pago minha faculdade, eu trabalho o dia inteiro, então midexe sair a hora que eu quero e não torra.

E falando sério, seríssimo, na real: de aula boa, realmente boa, ninguém quer sair.  ¯\_(ツ)_/¯

Então sei lá, né? Vou continuar saindo cedo? Vou. Ligo? Nope.

Vida que segue.

Ces't la vie

10 comentários

  1. "Eu só quero me formar!" estou nessa mesma vibe...
    Nunca fui de faltar a toa.Os meus colegas não vão na primeira semana de aula e não ficam com peso na conciência. Eu não consigo, odeio ficar boiando totalmente nos assuntos da aula...

    Agora sair cedo... Sou adpeta sim! Sem peso na conciencia.... O professor não vai dar a aula inteira nos ultimos 30 minutos de aula o0
    http://ladomilla.blogspot.com.br/

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  2. Nossa, Ana, esse post me representa.
    Se tem uma coisa que eu odeio é ter que ficar na sala por causa da presença obrigatória.

    Tenho algumas aulas práticas e nessas, obviamente, não posso me dar ao luxo de faltar. Mas nas aulas teóricas não sinto necessidade de estar lá ouvindo os professores lerem os slides. Prefiro pegar o material, estudar em casa, sozinha, no meu canto. Me identifiquei demais com o que tu escreveu.

    A pior coisa do mundo são esses professores que ficam fazendo comentários irônicos sobre os alunos que saem da aula. Nossa. Me irrita. Às vezes até quando a gente sai pra tomar água/ir ao banheiro eles ficam parados olhando a gente sair e depois ficam quietos até a gente sentar no lugar novamente. Me irrita demais!!!

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  3. VOU MANDAR ESSE TEXTO PROS MEUS PROFESSORES, OBRIGADA, IMPRIMINDO JÁ, AMÉM JESUS UMA PESSOA QUE ME ENTENDE ETC ETC.
    Deveria eu estar impressionada por você me entender? É claro que não.

    Eu tenho professores que felizmente tão cagando e andando pra presença, que dizem com todas as letras que se minhas notas forem boas, eles não vão me reprovar porque não assisti o mínimo de aulas, afinal de contas eu aprendi e isso que importa. Mas no meu segundo semestre eu reprovei por meia (eu disse meia) falta, num dia aleatório que eu resolvi ir embora mais cedo, e acabei mandando pro lixo meu trabalho impecável e minha nota maravilhosa na prova. É justo um troço desses? Obviamente não.
    Eu gosto muito da minha faculdade, gosto do meu curso na maior parte do tempo, mas eu meio que não aguento mais ir pra lá. Chega uma hora que a gente se esgota. Eu também entrego meus trabalhos em dia, não converso em sala (inclusive, odiando muito também quem faz isso), trabalhava (risos) então né, o mínimo era que eu pudesse ir embora quando quisesse? Por favor, professores, parem de forçar uma barra.

    E por favor, mais posts com gif de golfinho.

    beijo <3

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  4. presença obrigatória é algo que me deixa muito aflita mesmo. e tem professor que não tá nem aí se você perder o último busão do dia quando se estuda a noite. ai quando cê corre o risco de reprovar por falta eles ainda tem a cara de pau de dizer ~ah, não posso fazer nada. falta de empatia e bom senso é foda. ai quando o aluno começa a empurrar o curso inteiro com a barriga (porque nem as aulas são boas) reclamam dos ~profissionais que se formaram. lógica saudades.

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  5. Esse negócio de ter nota e reprovar por falta me deixa louca da vida. Sempre tinha uns professores malas pra deixar a presença pras onze da noite, e você tá ali morto de sono, de fome, de cansaço, e o infeliz contando causos da vida. Pq, né? Se um dia eu der aula a lista de presença vai passar antes da aula começar. assim quem quiser vazar, pode ir! =_= haja paciencia
    Bjs

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  6. "Eu só quero me formar"

    Acho que fiquei assim em, tipo, TODOS OS SEMESTRES da minha faculdade, hahaha. Eu adorava jornalismo, ainda amo, ainda quero seguir carreira, mas a faculdade em si me decepcionou de diversas formas. Eu tive duas professoras excelentes e só, no curso todo. Também me lembro de uma época que comecei a sair do trabalho e vir embora (trabalhava e estudava na mesma cidade a 1h30 de distância da minha cama rs) ou ia e saia mais cedo ou etc, a ponto de quase estourar de falta numa matéria porque eu não suportava o discursinho da professora (que era mais ou menos "voces são preguiçosos, você é preguiçosa, nem vai tentar esse curso de uma semana na amazônia onde já se viu???!!11 porque eu quando era estudante....ZZzz roinc). Logo no começo do curso lembro que o motorista da minha van me largou (!!!) e por sorte peguei carona numa outra van, mas desde então fiquei traumatizada e saia correndo das aulas sempre, hahah. Por sorte chegava no final do curso e as aulas iam tendo menos tempo mesmo, mas enfim. Eu super concordo que se a pessoa aprende a matéria QUEM SE IMPORTA com horário? Una buesta. E também sou dessas que não consegue estudar em grupo/com barulhos ao redor, mesmo pq geralmente preciso de explicações muito dinâmicas e didáticas e só ler slide não faz nem eu mesma me entender, haha.

    besos!

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  7. Miga, que morte horrível!

    Sempre fico encabulada dos professores que realmente se dão ao trabalho de regular presença, porque os meus, em sua maioria esmagadora, estão cagando baldes bem fundos. Daí vejo meus amigos de outros cursos chorando no Whatsapp por conta de chamada que nunca acontece e da aula que não termina nunca e fico, gente, qual a necessidade disso? Porque, como você disse, de aula realmente boa ninguém sai. Lembro de uma matéria que fiz sexta de manhã, optativa, que a sala estava SEMPRE lotada e a professora nunca fez uma chamada na vida. Teve uma vez, no meio de um feriado, a sexta era um ponto facultativo que a faculdade achou de bom tom contar como dia letivo, e eu fui porque sou dessas e tinha metade da sala presente??? Ou seje, se a aula valesse a pena as pessoas ficariam, simples assim. E se quiserem sair de aula boa, fodasssssssss, somos todos adultos e vamos todos morrer mesmo, né?

    Dificilmente mato aula porque, sei lá, eu gosto de ir pra aula e ver os migos #prioridades hahah mas entendo totalmente que todo mundo tem seus motivos, e acho que se um dia eu for professora, como eu quero ser eventualmente, serei dessas que caga e anda porque né, se faz trabalho, faz as provas e é aprovado, quem sou eu pra obrigar essa criatura a ficar me ouvindo falar? E se não entregar, não for aprovado, etc, problema dela, né?

    Enfim, #força #miga
    beijo!

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  8. Na minha faculdade, só tinha um chato de galocha assim...o resto era bem tranquilo e se importavam apenas em nos aprovar no final do semestre.
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com.

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  9. Eu já me formei e tal, mas lembro direitinho do suplício que era ficar ouvindo uns professores meia boca falando abobrinhas. Se eu não estava aguentando aquilo, o que eu fazia? Isso mesmo, pegava minhas trouxinhas e saia. Não adianta, se o professor não tem a menor ideia do que está fazendo, pq eu tenho que fingir que estou apreciando o que ele está dizendo? A minha sorte é que arquitetura tem muita matéria prática, então não precisava ficar horas e horas assistindo aula no slide.

    E olha que eu sou super nerd e odiava sair da sala antes, ou faltar, mas alguns professores simplesmente forçavam muito a minha paciência e mesmo com a consciência pesada (por dois minutos), eu saia da sala nem que fosse pra tomar um ar (estudei de manhã, então não tive o perrengue dos últimos horários de ônibus).

    Mas outra coisa que eu não entendo é essa história de reprovar por falta, sabe? Se o aluno entregou os trabalhos, fez as provas e tá na média, why reprovar a criatura por falta? Não entendo, de verdade.

    Vou ficar aqui torcendo pra você terminar logo a facul, haha. Força aê, Ana! ♥

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  10. Passando aqui só pra informar que já passaram 20 dias desde essa postagem. Obrigada, de nada. ♥

    HAHAHA, volta, Ana!

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