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quinta-feira, 24 de março de 2016

Sincericídios super-heróicos y otras cositas más

Às vezes me dou por conta que sou meio walking contradition. É uma frase pedante, mas é verdade. Percebo isso quando meu discurso é um e minhas atitudes destoam um pouco dele. É como dar um tapa com uma mão e assoprar logo em seguida.

Digo isso sem muito pesar porque não é uma questão de vida ou morte, e sim porque constantemente levanto a plaquinha do não aguento mais filmes, reboots e spin-offs de super-heróis, e vez que outra (lê-se: com bastante frequência) acabo dando ibope pro seguimento.

Sou uma pessoa que tem Marvel's Daredevil no top 5 de séries atuais, e coloca uma confiança sem tamanho nessa aventura da Marvel + Netflix. É bem comum que eu esteja em uma estreia, pré-estreia, pagando dinheiros, geralmente não tão bem investidos, em algum filme grandão de super-herói.

Não sei se continuo fazendo essas coisas porque gosto, porque acostumei ou porque vou na fé que vai ser algo melhor. Talvez um pouco dos três. Eu curtia muito mais a jornada lá no começo, mas coisas acontecem e hoje em dia não é bem assim. Estamos liberados a não aguentar mais um negócio, apesar de gostar da ideia dele, não é mesmo?

Na última quarta-feira, talvez impulsionada pelo FOMO e não querer ficar de fora, aceitei acompanhar meus amigos na pré-estreia de Batman v Superman: Dawn of Justice, e já de cara aviso que detestei. Eu nem queria assistir o filme, então a situação toda era um cê nem devia tá aqui, linda. Mas eu tava e, sem querer fazer a Glória, opinarei.

Deveras relevante.
Quando o trailer saiu apostei algumas fichinhas e cookies de que ele seria péssimo e não só acertei (infelizmente), como percebi que foi mais péssimo do que eu esperava. Diálogos forçados, atuações ruins, personagens sem desenvolvimento, plots desnecessários que tornaram o filme uma farofa sem tamanho, lutas maçantes e sem sentido (eu diria que é um parâmetro bem ruim piscar de tédio e sono durante lutas, em um cinema), e 2h30 de filme que mais pareciam 17h –dessas quais só 20 minutos prestaram. Coloquei muita fé que Wonder Woman salvaria o filme e, embora tenha sido introduzida com 201 tipos de diferentes de clichêzões e carões, foi a única coisa, pra mim, remotamente interessante. Ah, é, talvez eu dê dois pontinhos pra trilha sonora, mas é impossível esperar menos de Hans Zimmer. No fim do dia Batman e Superman foram dois bebês com mommy issues.

Além do óbvio bode com o filme, peguei bode também da equação. A real é que a fórmula desses filmes são sim a mesma: são super-heróis lutando entre si ou contra um vilão, mais hora menos hora criando desgosto perante as autoridades, e sofrendo algum tipo de redenção em um determinado ponto da história (no caso de Dawn of Justice, algo falso que ninguém comprou). E tá ok. Não tem problema nisso. São super-heróis, no final das contas. A questão é que a gente pode ter uma mesma fórmula, mas usar valores diferentes pra ter um produto diferente, não pode? Tipo futebol, que às vezes é um jogo chato que ficou no 0x0 e às vezes é algo incompreensível e louco feito um 7x1. Mesma fórmula, resultados e impressões diferentes.

E assim: eu, você e todo mundo precisamos concordar que ninguém aguenta mais esse mais do mesmo, um chove não molha com histórias parecidas e efeitos especiais que saíram da mesma fornada. Não sei se eu era muito nova pra lembrar ou se a coisa realmente agravou nesses últimos anos, mas Hollywood encontrou um nicho que beira ser uma mina de ouro, e por assim o ser, continua insistindo e sugando e focando nisso de uma maneira que já saturou. É uma tentativa de raspar fora até o último resquício dourado da parede, sem perceber que a estrutura vem há tempos caindo por terra.


No fundo do coração, acho que já passou da hora das grandes produtoras darem um foco em especial pras super-heroínas desses universos. Entendo que por questões legais e capitalistas todos fingem que é ok ter dois personagens iguais, sendo interpretados por dois atores diferentes, em duas franquias diferentes, ou que é ok usar um ator novo pra contar aquela história que todo mundo já tá careca de saber porque a cada três anos ela é contada de forma diferente, em um reboot novo, com um cast novo. Mas não entendo essa malemolência (pa dum tss) em abrir o leque, expandir os horizontes, e arriscar um pouco mais.

Um dos amigos que estava comigo na pré-estreia disse que a minha opinião não vale muito porque eu sou eu – no caso, feminista escancarada que sempre vai levantar esse debate. Aparentemente meus óculos feministas me fazem enxergar as coisas de outra forma (graças a Deus), mas independente disso, é assim que muita gente que consome dessa indústria se sente – vide os requisitos ávidos por filmes de Wonder Woman, Black Widow ou Captain Marvel, e o clamor geral e ótima aceitação que tiveram séries como Jessica Jones, que caiu longe do óbvio e entregou uma série de nível altíssimo enquanto tratava de um vilão muito real: um abusador; ou Supergirl, que foi a série de estreia com o maior rating na última fall season e mantém um nível que varia de 6 a 12 milhões de viewers por semana, deixando os companheiros Arrow, The Flash ou até mesmo Gotham pra trás.

Mas quando entramos nesse viés, usando ou não o óculos do feminismo, caímos em dois buracos inevitáveis: o da falta de protagonistas mulheres no cinema e na TV, e o das criaturas impossíveis, os fanboys.


E ninguém tá dizendo que não existem personagens femininas marcantes, relevantes, que carregam séries inteiras nas costas e entregam papéis memoráveis (nomearemos os bois e bateremos palmas pro universo Shondaland), a questão é que ainda é muito pouco. É comprovadamente pouco.

Em 2013 a New York Film Academy publicou, com estatísticas e linhas do tempo, um estudo sobre a desigualdade de gênero na indústria cinematográfica. O negócio é real e palpável, e fica ainda mais duro quando evidenciada a questão racial na jogada. Isso tudo, por óbvio, reflete diretamente naquilo que estreia semanalmente nos cinemas do mundo todo. Não são só poucas mulheres atuando e produzindo, são também pouquíssimos filmes sobre mulheres – ou super mulheres.

Eis que, no buraco sem fim ao lado estão os fanboys de todas as idades. Eles são um tipo esquisito que pensa ter legitimidade em se achar superior às fangirls e que faz, de alguma maneira, que as risadas e discussões acaloradas de fãs mulheres valham menos que as feitas pelos garotos da casa ao lado.

Essa estrutura vem de longe. É um passe livre quase mundialmente distribuído poder julgar meninas e adolescentes por amarem boybands, young adults ou filmes água-com-açúcar, porque isso são coisas de garotas e por serem coisas de garotas obviamente elas valem menos. Nele vem grudado um outro ticket que reforça ainda mais a cabeça fraca dos que vivem no mencionado buraco: o de boys will be boys, que implica achar super natural e saudável quando dois garotos caem rolando na grama discutindo futebol porque meu time melhor que o teu e Capitão América melhor que Iron Man (não é, jamais será). 

She can simply like her coffee from Starbucks and suddenly she’s vapid and thinks herself poetic. She’ll want to play video games but be called a fake nerd, particularly if she poses in any remotely flirtatious way because for some reason despite the entire community playing games with poorly dressed women they still hate it when a real girl wears less clothing, she will be seen as trespassing in a specifically male space - but when she falls in love with a female-based television show for children, she’ll watch as men step on themselves to sexualize it.
Teenage girls aren't the downfall of society, society is the downfall of teenage girls

De alguma maneira, a fã mulher tem que provar que é fã, e sabe, e sabe de verdade, mas no fim do dia ainda vai aparecer alguém dizendo que ela não sabe de nada – mas se ela fosse um ele, a opinião dela seria respeitada, levada em consideração, ou sofreria menos pressão pra quebrar. Não é uma falácia, é uma constante que nós, nesse nosso barco, temos que nos fazer ouvir, enquanto a eles lá fora são dados todos os ouvidos.

Aqui nesse papo, não importa que ambos Maria e João só consumam os universos cinematográficos e televisivos de diversas franquias. É com frequência que vai brotar alguém, ou melhor, algum, batendo na mesa com as duas HQs que leu na vida, querendo derrubar toda a opinião que a moça deu, mas deixando intacta a opinião do colega ou debatendo e trocando opiniões de forma sensata (embora que: fanboys sensatos, um mito).

É um abismo porque quando eu chego batendo na mesa com os meus livros, os textos lidos, e toda uma carga de série nas costas, fazendo com o colega o mesmo que ele fez comigo, defendendo uma personagem jovem feminina de um universo fantástico ou uma esposa casada com um sociopata, minha opinião não vale nada porque a moça é uma personagem jovem feminina de um universo fantástico ou uma esposa casada com um sociopata (e eu sou só uma não-assim-tão-jovem-porém-feminina defendendo elas).

PAUSA. Tenho um super respeito por quem consome as histórias em outras plataformas. Gostaria muito de assim o fazer, mas eu mal consigo manejar meu tempo com o que faço e o que já acompanho, então deixo isso pra quem realmente gosta. Aceitei a derrota de que às vezes não se pode fazer tudo, ler tudo, ouvir tudo e assistir tudo. No entanto, não vou te entregar minha carteirinha de fã só porque eu assisto coisas em contraponto a ler coisas. E ninguém vai roubar tua carteirinha de fã se você quiser fazer o mesmo. 2016, gente. Tá liberado achar uma adaptação boa ou achar uma bosta (vide Game of Thrones que eita adaptação bem bosta mddc) e fazer críticas quanto a isso. Não tá liberado cagar na cabeça de quem julga uma coisa desconexa só porque você julga ela em conjunto e comparado com x, y ou z. DESPAUSA.

Essa vibe inteira é muito louca, e se eu pudesse registrar algo seria que não vale a pena bater boca com fanboys – e que eu deveria ouvir meus próprios conselhos. Existe uma ciência que prova que eles jamais admitirão que estão errados, e que a masculinidade deles quebrará em duzentos e cinco pedaços caso uma mulher saiba mais que eles sobre super-heróis, vídeo games, futebol, ou qualquer outra coisa que eles pensam saberem mais única e somente porque são homens.


Seguirei assistindo a filmes de super-heróis (sejamos sinceros, a quem eu quero enganar?), mas com cada vez menos interesse. Espero de verdade que eles lá em cima – produtores, escritores e estúdios – tirem um pouco a mão do bolso e coloquem ela na cabeça, e percebam que as pessoas vão continuar pagando pra assistir filmes que saiam fora da caixa. Que personagens mulheres conseguem sim carregar séries e filmes nas costas, mas que é impossível que isso aconteça se a insistência chata de que não, não conseguem, continuar. Façam colecionáveis dessas personagens, façam roupas dessas personagens – se a questão é dinheiro, tem muita gente querendo de verdade pagar por isso. Lembrem que cinquenta por cento do público que paga para ir ao cinema são mulheres. Aceitem a oportunidade de fazer diferente e depois a gente conversa se deu certo ou não. Afinal, se Batman vs. Superman é algo que foi aprovado e distribuído, caminhar por outros lados não seria tão ruim.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

AQUECE OSCAR 2016 #1: The Martian e Mad Max: Fury Road

E olha o que chegou! Isso mesmo, meu problematic fave White Awards, mundialmente conhecido como Oscars. Por mais um ano estarei incompetentemente comentando (e adorando tudo) os filmes indicados ao prêmio da academia.

Como de praxe, marinado em opiniões puramente pessoais e nada estudadas, eu sempre acabo assistindo os filmes indicados e largando em forma de review o que achei ou deixei de achar dos longas.

Sabem, né, a girl's gotta do what a girl's gotta do.

Bem como ano passado, pretendo assistir filmes de outras categorias, porém meu foco são os indicados a melhor filme. Prometo (juro que tento) postar minhas reviews a medida que for assistindo.

Sendo assim, oficialmente dou largada no aquece do Oscar 2016, e aqui abro a tag #oscar 2016. Vamos comigo? (Vamos migos, não me deixem sozinha).

THE MARTIAN
Ridley Scott
Elenco: Matt Damon, Jessica Chastain, Jeff Daniels, Chiwetel Ejiofor | 144 min

Indicações: 7
Indicado em: Melhor Filme (Best Picture); Matt Damon - Ator Principal (Actor in a Leading Role); Roteiro Adaptado (Screenplay based on previous material); Design de Produção (Production Design); Mixagem de Som (Sound Mixing); Edição de Som (Sound Editing); Efeitos Visuais (Visual Effects).

Durante uma missão da NASA em Marte, os astronautas responsáveis são atingidos por uma forte tempestade que os leva a abortar a missão. Em caminho a nave que os traria pra Terra, o astronauta Mark Watney é atingido por algo que eu ainda não identifiquei mas diremos que seja uma antena. O moço é deixado para trás pois presumidamente haveria morrido. Contudo, contra todas as expectativas, Mark sobrevive e é obrigado a planejar um jeito de, sozinho, se manter vivo em um planeta desconhecido.

O que eu esperava? Um filme hypeado e chato tipo Gravity. Esperava mais do mesmo e coisa e tal. No fundo, o filme até é mais do mesmo  ̶̶̶̶̶ impressão que tenho é que filmes nos espaço seguem a mesma fórmula e acabam da mesma maneira. No entanto, The Martian é legal. É divertido e agoniante em mesmas proporções. Diferentemente de Gravity, The Martian não se torna massante e no final você se sente como uma das milhares de pessoas que torce pra que o coitado do cara que só come batata consiga se salvar. 

O Matt Damon entregou um bom trabalho, a construção do filme é bem boa e fechadinha, embora viajona (mas eu deixo a física pra quem entende). O cast é ótimo, cheio de rostos bonitos e conhecidos (God bless Jessica Chastain). Os efeitos estão bons, e a trilha sonora também (toca Bowie, gente, é óbvio).

Fui surpreendida positivamente, embora não acho que leve o grande prêmio da noite. Recomendo. 


MAD MAX: FURY ROAD
George Miller
Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Rosie Huntington-Whiteley | 120 min

Indicações: 10
Indicado em: Melhor Filme (Best Picture); Direção (Directing); Fotografia (Cinematography); Edição (Editing); Design de Produção (Production Design); Design de Figurino (Costume Design); Maquiagem e Cabelo (Makeup and Hairstyling); Mixagem de Som (Sound Mixing); Edição de Som (Sound Editing); Efeitos Visuais (Visual Effects).

Max Rockatansky achava que podia fazer tudo sozinho até achar de bom tom se juntar com um grupo de rebeldes *pausa pra respirar porque não há vírgulas* que pretendem fugir de uma cidadela tiranizada por um psicopata louco. Em um cenário pós apocalíptico, as rebeldes, lideradas por Furiosa, e Max, partem em busca de uma *~vida melhor~*, mas tudo se torna louco e rock'n'roll quando o psicopata louco decide juntar um exército pra persegui-los.  

Mad Max é um blockbuster indicado a melhor filme. Mad Max é um blockbuster divertido e foda indicado a melhor filme. Se eu amei? Yep.

Quando o filme estreiou, lá na metade do ano passado, muito longe e bem diferente da maioria dos filmes geralmente indicados ao Oscar que só estreiam próximo à cerimônia, eu quis muito assistir no cinema. Infelizmente, graças a um infortúnio do destino, acabei assistindo o filme mais tarde, deitadinha em casa, e achando tudo muito agradável.

Achei o plot bem interessante, curti a direção, a fotografia, e no geral achei uma ótima experiência  ̶̶̶̶̶  eu nunca assisti aos outros Mad Max. Foi tão bom ver um filme dessa altura estabelecer uma relação de respeito e igualdade entre os dois personagens principais, e eu, que sou uma sucker por essas coisas, fui fisgada rapidinho.

Estava com as expectativas altas pro filme e ele, apesar do grande hype, atingiu todas elas. Não acho que leva o prêmiozão, mas se levar, tá tudo bem.

***

Vocês assistiram algum desses? Ou algum outro do Oscar? Curtiram? Não curtiram? Me contem!11!! 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Aquece Oscar 2015 #1: Boyhood, Whiplash e Grand Budapest Hotel

Todo mundo tem na timeline do Twitter aquela pessoa que em época de premiação fala das coisas como se soubesse, entendesse, e fosse crítica de cinema. Bem, eu sou essa pessoa. Todo ano eu passo parte de Janeiro e Fevereiro em função do nosso queridíssimo branquíssimo award favorito: o Oscar.

Fico em função de procurar os filmes em boa qualidade, e até passear no cinema vez que outra pra assistir na telona (ou na telinha que não é tão telinha assim do meu quarto) os indicados a melhor filme.

No arquivo do blog dá pra encontrar minhas reviews-nada-impessoais do ano passado. Nas minhas páginas de filmes no tumblr também dá pra ter uma noção que se eu não assisto todos, eu bem que tento (acho que nos últimos três anos eu completei os best picture?!).

Lembro do Oscar de 2011 que eu assisti três filmes no mesmo dia só pra poder xingar com ~argumentos~ o evento que ia acontecer naquela noite. Por sinal esse foi o Oscar que colocou JLaw nos holofotes, teve Natalie Portman gravidíssima e muitos awkward moments com os apresentadores da época, Anne Hathaway e James Franco (por sinal, quem lembra? Foi péssimo) (todo mundo deve lembrar daquilo).

Então pra voltar um pouquinho pra origem do blawg, vou abrir a tag #oscars 2015 e, a medida que for assistindo os filmes, vou postando pra vocês o que achei ou deixei de achar dos longas.

A diferença nesse ano, eu acho, é que no momento que liberaram os indicados no último dia 15, eu já tinha assistido 3/8 filmes. O que me dá abertura pra assistir os filmes de outras categorias também. E é o que eu planejo fazer (até já assisti um......... eh).

De qualquer forma, vamos lá.

THE GRAND BUDAPEST HOTEL
Wes Anderson
Elenco: Ralph Fiennes, Adrien Brody, Saiorse Ronan | 100min


Indicações:
Indicado em: Melhor Filme (Best Picture); Fotografia (Cinematography); Figurino (Costume Design); Direção (Directing); Edição (Film Editing); Maquiagem e Cabelo (Makeup and Hairstyling); Trilha Sonora (Music - Original Score); Design de Produção (Production Design); Roteiro Original (Writing - Original Screenplay).

O Grande Hotel Budapeste, adaptado em meados do século XX, no período entre as duas guerras mundiais, conta as aventuras vividas entre um gerente e o mensageiro de um famoso hotel europeu. O filme tem direito a roubo de quadros famosos, fugir da polícia E um psycho, tentar receber uma fortuna e ainda, no meio de tudo isso, se apaixonar pela moça que faz bolos. Assim, tentando explicar, dá a impressão que é "nada de mais". Mas o conhecido diretor conseguiu fazer funcionar outra vez.

Honestamente, a quantidade de indicações me espantou. Eu adoro os filmes do Wes Anderson. Tenho uma paixão enorme por Moonrise Kingdom. E só de bater o olho num filme dele tu sabe que o filme é dele. As cores, a simetria, as cenas abertas. Sem contar o Jeitinho Wes de fazer filme. 

Grand Budapest ficou meses mofando no meu HD externo até que eu me empolguei pra assistir. O filme, pra mim, é bem original e visualmente lindo, e apesar de ter gostado, não achei nada grandioso a ponto de ser indicado a melhor filme. Ainda assim, concordo com grande parte das indicações. 

Se fosse pra indicar pras pessoas um filme do cara, provavelmente não seria esse, mas tá na listinha de filmes queridos que assisti nos últimos tempos, so there's that. De qualquer forma, estarei na torcida pelo longa, especialmente pra roteiro e fotografia.

WHIPLASH
Damien Chazelle
Elenco: Milles Teller, J.K. Simmons | 107min

Indicações: 5
Indicado em: Melhor Filme (Best Picture); J.K. Simmons - Ator Coadjuvante (Actor in a Supporting Role); Edição (Film Editing);  Mixagem de Som (Sound Mixing); Roteiro Adaptado (Writing - Adapted Screenplay).

O filme, em poucas palavras, é sobre um menino solitário que ama bateria e sonha em ser o melhor da sua geração. Andrew é convidado pra entrar na principal orquestra da melhor escola de música dos EUA, ainda em seu primeiro semestre de curso. A orquestra em questão é regida pelo abusivo maestro Fletcher. O filme é o downhill e uphill do moço: ele é empurrado a limites que ele desconhecia -- até ser impiedosamente forçado (em tese) a alcançar.

Pra começar, vamos falar sobre as coisas boas: o J.K. Simmons, que eu não conhecia, foi maravilhoso. Foi mais do que merecido a indicação dele. O Miles Teller, que eu nunca fui muito com as fuças, também foi maravilhoso. Merecia uma indicação que não apareceu, e entrou pra grande lista dos Oscars Snubs. O filme é bonito -- e digo isso no sentido de cenas bem gravadas, fotografia bem feita (snub again) e não no sentido mensagem-bonita-etc-etc. E pra mim, a parte boa do filme fica nisso.

Eu não gostei de Whiplash. Tô sem entender a rasgação de seda pro filme. Acho que não tenho saco pra gente que quer provar ser o melhor só pros outros verem (o moço batendo boca com os amigos?! primos?! no jantar deixou isso bem claro). Que quer buscar tanto a perfeição que chega a ser psicótico. Filho, breaking news: cê tá longe de ser perfeito. No final do filme eu estava emocionalmente e fisicamente exausta. Emocionalmente porque esse filme é tão agoniante e intenso que eu não aguentava mais (e eu acho que ser intenso e agoniante era parte da ideia do filme em si, então o diretor tá de parabéns). E fisicamente pelo mesmo motivo: o filme não acabava.
Pra quem gosta de barulho, figuras abusivas e garotos malucos: go for it. Esse é um daqueles filmes pra assistir uma vez e lembrar pra sempre.











BOYHOOD
Richard Linklater
Elenco: Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Ethan Hawke | 165min

Indicações: 6
Indicado em: Melhor Filme (Best Picture); Ethan Hawke - Ator Coadjuvante (Actor in a Supporting Role); Patricia Arquette - Atriz Coadjuvante (Actress in a Supporting Role); Direção (Directing);  Edição (Film Editing); Roteiro Adaptado (Writing - Original Screenplay).

Boyhood, vocês já devem saber, levou 12 anos pra ser gravado. Boyhood, e talvez vocês saibam, é um filme simples. A ideia e a historia do longa é, bem como o título em português, acompanhar o crescimento da infância à juventude do protagonista Mason. É claro que ao fazer isso acompanhamos também o crescimento de todos que fazem parte da realidade do mocinho: a mãe, o pai, a irmã... 

Essa ideia simplíssima do diretor não poderia ter dado mais certo. Além de evidenciar o comprometimento de todos envolvidos, o fato de ter levado doze anos pra ser gravado (pra mostrar o guri realmente crescendo) deu um ar mega natural pro filme. E o filme todo é isso: natural. É um filme sobre a vida. Sobre crescer em meio a perrengue e momentos ótimos. Sobre passar por fases duvidosas de franja no olho, testa oleosa, unhas pretas. Sobre não saber lidar, e saber lidar. Sobre criar coragem e ir atrás das coisas. Sobre relacionamentos que não dão certo. E gente, eu amei tanto tanto tanto esse filme que nem cabe em mim. 

Boyhood foi um dos melhores filmes que eu assisti nos últimos tempos. Assim que eu terminei ele, fiquei deitada na cama escutando a música dos créditos e digerindo aquilo tudo. 

Acho que um dos porquês de eu ter amado o filme, além da naturalidade, foi o fato d'ele trazer um ar pro cinema que há tempos estava precisando (e eu também). Não tem super-herói, reboot ou efeitos especiais loucos. Não é no espaço, nem de terror. Não é comédia bagaceira ou filme que queira te passar uma lição de moral que ninguém dá a mínima. E por não querer e nem ser nada disso, ele é melhor que isso. Sem contar que a trilha sonora é d-e-m-a-i-s. Não ficarei surpresa se ele levar o prêmio da noite, mas não magoarei muito se ele não levar, porque juro que ele não precisa de prêmio pra validar o quão bom ele é. (E juro também que os 165min de filme valem cada frase puxa saquismo que eu escrevi) (assistam!!!).

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Mockingjay p.1: FEELS

Vocês conhecem a Janice, né? Então, eu tô que nem ela tentando montar uma linha de raciocínio e tudo o que sai é: OH MY GOD.

Fui assistir a pré-estreia de Mockingjay às 00h01min de hoje. Como toda boa pré-estreia, é claro que deu uma atrasadinha por motivos de: bomboniere lotada. Mas nada impossível de relevar, afinal: MOCKINGJAY!!! PIPOCA!!! COCA-COLA!!! 

Entrei no cinema não querendo saber de trailer. Eu só queria escutar o assovio do tordo e digerir toda a primeira parte da adaptação do (pior, pra mim) livro da trilogia. 

E gente: DSKFHDSKFAIAFKLDSF. 

Eu saí feliz em The Hunger Games. Saí feliz em Catching Fire. E saí feliz em Mockingjay p. 1.

Queria que todas as adaptações fossem que nem essas. Que coisa bem maravilhosa.


A JLaw mais uma vez entregou o papel com maestria. Como sempre. Vocês já sabem. Dei risada dela tentando (e falhando miseravelmente) gravar o vídeo de dentro do Distrito 13. Sofri com ela quase sendo enforcada (que cena conturbada!!!!!!!!). Fiquei empolgada com ela destruindo coisas no Distrito 8. Enfim, acredito que todo mundo no cinema se emocionou de acordo com As Aventuras da Mocinha™.

O Josh Hutcherson ficou quase irreconhecível. Sério, gente. Ele parecia um viciado em crack. All thanks to efeitos visuais, pois esses, meus amigos, são tudo (tá, não tudo. Mas boa parte).  

Não dá pra deixar de falar, também, de Julianne Moore, Philip Seymour Hoffman (R.I.P.), Sam Claflin (love da minha vida, queridão, coisa linda), Elizabeth Banks (Effie Trinket is better than you), Woody Harrelson, Natalie Dormer (CRESSIDA ♥)... Enfim, todo o cast que foi escolhido a dedo e é extremamente comprometido com o trabalho (a gente sente. A gente). 

As grandes ressalvas que a gente pode fazer pr'A Esperança p. 1 é que esse filme teve muito mais perspectiva que os dois anteriores. Nos anteriores pegávamos relances dos distritos e geralmente da Capitol, mas a maior parte ficava resumida pr'aquilo que acontecia dentro da arena.

Já nesse nós tivemos cenas dignas de forninho caindo (eu ainda não superei essa expressão): ainda tô empolgadíssima com a cena onde destroem a hidrelétrica, e a cena dos árvores/bombardeio. 

Também don't even get me started com as músicas. A transição da Katniss pro povo cantando "are you, are you, coming to the tree" foi espetacular. Chills everywhere. 

As únicas coisas que eu demorei mais pra aceitar foi a peruca da Jennifer, que em nenhum dos outros filmes ela tinha usado. E o Distrito 13, que eu imaginava completamente diferente. Mais branco, mais aberto, menos prisão. Mas até isso dá pra ignorar porque o filme, o pacote completo, foi muito bem entregue. 

Sinto que esse filme teve um apelo mais emocional, e apesar das ótimas cenas de cair o queixo, ele construiu o chão pra tudo o que vai acontecer no próximo. 

E eu juro, juro, juro pra vocês que eu mal posso esperar. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O que eu assisti nas férias

As aulas voltaram. Tristemente. Perdi todas as minhas noites durante a semana, inclusive a sexta. Por dentro choro de desgosto, e muito principalmente porque eu mantinha uma relação muito forte com as minhas sextas-feiras livres.

Como a vida grande chamou, e a minha universidade com seus péssimos horários me quebrou, tive que dar adeus às minhas sextas-feiras regadas a vida social e/ou (ou, muitos ous) a falta dela (essa falta sempre acompanhada de porcarias e temporadas de séries).

Dessa forma meio que me obriguei a fazer valer minhas férias acadêmicas e tentei, sem muito sucesso, ler e assistir algumas coisas que queria.

Mas eis aqui o que deu certo:

Assisti Moulin Rouge pela PRIMEIRÍSSIMA vez. Curti bastante. Dá um ódio da Nicole Kidman porque essa mulher é tão linda, mas tão linda que roubou toda a beleza do mundo. E aquele cabelo dela então? Aff, vida injusta. Fiquei com uma vontade super grande de dar mil abraços no Ewan McGregor porque ele tá tão queridão nesse filme que aff. :'))) (muitos affs!!!)


Obs.: melhor música.

Reassisti Easy A e morri rindo de novo. Eu amo a Emma Stone. Ela é umas das minhas atrizes queridinhas, e acompanho o trabalho dela desde o comecinho, então achei e ainda acho um máximo ela pegando papéis principais e/ou maiores. Pra quem ainda não assistiu esse filme, eu super recomendo.


Numa das passagens do filme, ela pergunta: "Whatever happened to chivalry? Does it only exist in 80's movies? I want John Cusack holding a boombox outside my window. I wanna ride off on a lawnmower with Patrick Dempsey. I want Jake from Sixteen Candles waiting outside the church for me. I want Judd Nelson thrusting his fist into the air because he knows he got me. Just once I want my life to be like an 80's movie, preferably one with a really awesome musical number for no apparent reason. But no, no, John Hughes did not direct my life." O que nos leva pra outro filme que eu assisti nas férias: Sixteen Candles. 

Gente, eu amei Breakfast Club; adoro a Molly e foi bom ver rostos conhecidos nesse filme. Mas de alguma forma, eu só "ehhhhh gostei" do filme. Não consegui simpatizar com o Jake em momento algum, e diferente da nossa companheira Olive ali de cima, eu NÃO quero um Jake.

ME DIGAM, que que eu vou querer com um moço tão cagão que nem tem coragem de terminar com a namorada??????????? E que diz "I can get a piece of ass anytime I want. Shit, I've got Caroline in the bedroom right now, passed out cold. I could violate her ten different ways if I wanted to". NOSSA MOÇO, CALA BOCA. Eu iria te querer pra te fritar em pouca banha, e só. Então não fiquei feliz da Sam ficar com ele no final.


Sou muito mais a Claire entregando o brinco de diamante pro John do que o Jake esperando a Sam fora da igreja. Meh.

E seguindo essa linha oldschool, logo depois (logo mesmo) emendei d'um '80s pra um '90s e (re)ASSISTI CLUELESS!!! Eu já vi esse filme várias vezes, mas tudo pela metade ou com intervalo e tudo o mais. Então quase tive explosões de amor pelo Josh quando vi o quanto ele é fofolimd. E dei muitas risadas e terminei o filme querendo abraça-lo porque é muito massa! E sempre lembre: na vida, somos todos um AS IF.



A real é que quando eu assisti Sixteen Candles, eu queria mesmo era estar assistindo Pretty In Pink, mas eu já tinha tentado assistir algumas versões que eu tinha baixado e todas elas estavam com o mesmo problema de áudio. Por sorte, eu achei uma versão correta e no meu último dia de férias, consegui assistir o filme. 

Esse eu já curti infinitamente mais que Sixteen Candles. E eu juro que não é só porque em um dos momentos um poster do The Smiths aparece numa porta aos fundos. É que nesse clássico dos anos 80, a personagem da Molly, Andie, é muito mais segura de si mesma. E embora eu tenha achado aquele vestido rosa horroroso, o filme é bem gostosinho de assistir.


A única coisa que vale lembrar é que o mocinho é outro cagão que eu não iria querer nunca, tá. Acho que o Duckie seria uma escolha muito melhor. Mas não dá pra julgar não, que quando a gente se apaixona a gente vira burra mesmo. AINDA ASSIM: Duckie >>> Blane.

E no mais, MOVIEMENTE falando, foi isso. Só isso. (Só isso porque fiquei com preguiça de listar todas as séries que assisti. ♥)

Obs.: sempre tento colocar créditos nos gifs mas não encontrei desses. Sorry mundo. Se eu achar, edito o post. (fml but I can't gif!).

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Okay não é o nosso pra sempre

Foi no auge, e um auge já estagnado, do livro A Culpa é das Estrelas do John Green que eu decidi dar uma chance pro livro do cara. 
Fui toda receosa e já expliquei, não muito eloquentemente, aqui, tudo o que pensei, não pensei e passei quando peguei o livro azulzinho (emprestado de uma amiga) na mão em Fevereiro. 

Como prometido, eu assisti a adaptação no cinema. Só não na estreia, como era planejado. 

E apesar de não saber o que esperar, porque a vida já me ensinou pra baixar a bola quando se trata de adaptações (afinal, eu sou fã d'As Crônicas de Gelo e Fogo), dei a mão pra R'hllor e entrei na sala de cinema com um litro de Coca-Cola pra assistir o filme.

Uma coisa: eu nunca fui de chorar com livro. Na real, eu nunca chorei com livro. O máximo que consigo é ficar com os olhos marejados mas que não permanecem por muito tempo já que o que eu realmente quero é continuar a história e não ter um meltdown

Já pelo contrário, filmes e seriados levam os meus meltdowns pra outro nível. Até hoje lembro com muita clareza que assisti a season finale da sétima temporada de Grey's Anatomy na sexta-feira a noite com uma amiga, e Sábado de manhã eu ainda estava toda inchada de tanto chorar.


Então quando entrei pra assistir o filme, eu não esperava nada menos que isso. Um meltdown catastrófico.

E eu fiquei realmente surpresa quando isso não aconteceu. 

A adaptação conseguiu passar tudo o que o livro pretendia. Shai e Ansel (de quem eu não curti muito as fuças no início de tudo) entregaram pra nós uma Hazel e um Gus que ninguém poderia fazer melhor. Deu pra perceber que todos envolvidos ali estavam realmente comprometidos a fazerem jus a todo o hype que o livro foi. Ou é.

Toda a vibe, por falta de uma palavra melhor, a trilha sonora, a atuação, a simplicidade do filme, não poderiam ser mais bem escolhidos e corretos do que foram. 

No lugar do meu meltdown, eu escutei fungadas de moças e marmanjos numa sala de cinema cheia de casaiszinhos que tentavam se recompor do que assistiam.

No lugar do meu meltdown, eu deixei escorrer duas lágrimas quando a Hazel ficou feliz pelos pais dela estarem planejando um futuro. Sempre tive e sempre vou ter problemas com qualquer temática família/doença, porque isso mexe comigo. Muito mais que qualquer Gus-do-livro ou Gus-da-telona pudessem fazer. 


Foi entre choros, dublagem de frases antes que elas acontecessem e risadas (acho graça só de lembrar "It's always dark for Isaac") que eu e minha amiga saímos da sala de cinema. E saímos pra perceber que todo mundo que deixava a sala, estava com a mesma sensação meio-amarga. Uns até direto pro banheiro pra tentar ajeitar o rosto vermelho de chorar. Algumas com maquiagem na orelha. 

Mas pra mim, eu deixei a sala com a mesma sensação que terminei o livro. A vida não faz sentido, e ela tá sempre preparada pra puxar nosso tapete. Um dia tá tudo bem, no outro dia não. E apesar de ter que viver com essa incerteza que é a vida, a gente tem que viver da melhor maneira que pode, mesmo sabendo que podemos quebrar a cara ou sermos deixados para trás a qualquer momento. 

A única pena é que nem todo mundo lida bem com isso. 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

#3 Aquece Oscar 2014

E continuando minhas reviews chorosas, dramáticas e mais pessoais que críticas, aqui vai a última rodada dos indicados a melhor filme.

NEBRASKA
(4/5)
Indicado em 6 categorias
(Best Picture; Actor - Leading Role; Actress - Supporting Role;  
Cinematography; Directing; Writing - Original Screenplay)
 
Que filme lindo! Daqueles super lights, melancólicos e bonitos ao mesmo tempo. Tudo nele é na dosagem certa. E apesar de ser todo em preto e branco (o que não me atrai muito), ele é super fácil de assistir. O filme conta a história de Woody, o pai velhinho e simpático, que encontra uma daquelas propagandas cafonas dizendo que "você ganhou um milhão de dólares!!!" e passa a acreditar que realmente ganhou a bolada toda, e tudo o que ele quer fazer é ir retirar o dinheiro, é óbvio (e pelos mais doces dos motivos). O filme é sobre compreensão, amor e sobre levar em frente, no matter what. Uma temática bem familiar e muito tocante. Dá pra entender porque levou tantas indicações em tantos awards. Indico.

PHILOMENA
(4/5)
Indicado em 4 categorias
(Best Picture; Actress - Leading Role; 
Music - Original Score; Writing - Adapted Screenplay)
Um filme simples. Philomena Lee era uma freira. Uma freira que cinquenta anos depois decide colocar a boca no trombone e procurar o filho, e filho do pecado, diga-se de passagem, como as irmãs adoravam lembrar, que fora tirado dela ainda novo. Martin Sixsmith é um ex-jornalista da BBC, que procura agora o que fazer com o seu tempo extra. Eles se encontram e se juntam atrás da história e do passado do filho perdido. Um filme bem cru e revoltante, mas lindo. A Judi Dench (Philomena) entrega uma atuação que dá vontade de entrar na tela e abraçá-la, diversas vezes, de tão querida. O filme em si é meio triste, quase um círculo vicioso correndo atrás das verdades que foram perdidas mas não tão perdidas assim. Além do mais, os dois personagens não poderiam ser mais diferentes, principalmente contando que um acredita em Deus com todas as forças enquanto o outro é um ateu cheio das opiniões, por causa disso então há várias interações bem interessantes. Não tem como terminar o filme sem sentir um pouco de raiva, mas em geral eu gostei bastante. Indico. PS.: Não se deixem levar pelo poster amarelo animadinho. O filme não tem nada disso.

CAPTAIN PHILLIPS
(4,5/5)
Indicado em 6 categorias
(Best Picture; Actor - Supporting Role; Film Editing;
Sound Editing; Sound Mixing; Writing - Adapted Screenplay)
A ideia do filme é bem batida, pra mim. Os grandões tentando salvar o mocinho da mão dos malvadinhos. Nada de muito diferente. Mas o filme é bem bom. Pra mim, que sofro de óbvia-porém-não-diagnosticada ansiedade, quase tive um negócio enquanto assistia. Não consigo aguentar esses filmes que tão pra dar errado do começo ao fim. Ou seja, fiquei bem apreensiva durante o tempo todo. Ainda assim, gostei bastante de ver o Tom Hanks nesse papel. E os minutos finais foram bem... Reais? Enfim. Um bom filme, mas não acho que leve Oscar.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

#2 Aquece Oscar 2014

Continuando a minha série de posts totalmente sem criatividade e por esse motivo dividido em vários mini ("mini") posts, lá vamos nós pra mais algumas pseudo-reviews extremamente chorosas, pessoais e nada acadêmicas de alguns filmes que estão concorrendo ao Oscar 2014:

THE WOLF OF WALL STREET
(5/5)
Indicado em 5 categorias
(Best Picture; Actor - Leading role; Actor - Supporting Role; 
Directing; Writing - Adapted Screenplay)
Honestamente, desse filme, eu não sei nem o que falar. Eu fui sem saber do que se tratava (como a grande maioria dos outros filmes do Oscar) e terminei boquiaberta. O filme é longo, mas diferentemente de outros filmes mais curtos (cof cof American Hustle), esse flui. Admito que não assisti tudo num dia porque ando num espírito de 75 anos e acabo pegando no sono sempre que paro pra assistir qualquer coisa. De qualquer forma, o filme é tudo isso. Não tenho muitos filmes do Scorsese pra usar como parâmetro, mas esse é demais. É quase uma piada bem dirigida, e bem adaptada, sobre o mundo atual: vamos aplaudir, endeusar e acreditar em quem não presta (but not really). O filme é todo cheio de palavrões, gritaria, drogas e sexo, além de ser narrado em primeira pessoa pelo imoralmente incorreto Jordan Belfort. Ou seja, quase comum a primeira vista; nada comum depois de assistido. Tem tanta cena tão estupidamente estúpida (eu ainda dou risada da cena do DiCaprio e do Hill brigando depois de muita bala), que tu fica se perguntando como alguém tão idiota conseguiu, mesmo que ilegalmente, tudo o que conseguiu. O Leonardo DiCaprio provou mais uma vez que quem tá errado é a academia, e não ele por não receber prêmio algum. Tirei o chapéu (que eu não uso) pra atuação do Leozinho.


DALLAS BUYERS CLUB
(4,5/5)
Indicado em 6 categorias
(Best Picture; Actor - Leading Role; Actor - Supporting Role;
Film Editing; Makeup & Hairstyling; Writing - Original Screenplay)
Ambientado lá na metade dos anos 80, o filme conta a história do eletricista caubói cabra macho Ron Woodrof que é diagnosticado com AIDS (a doença dos gays) e tem o grande futuro de somente 30 dias pela frente. A história é impecável. Trabalha bastante a temática do preconceito, indústria farmacêutica e seus óbvios intere$$e$ e a luta de quem era diagnosticado com a doença na época. Não consigo colocar em palavras a atuação de outro mundo que o Matthew McConaughey e o Jared Leto entregam pro público. A Jennifer Garner também faz um papel muito interessante, mas que acabou sendo ofuscada pelo talento da dupla principal já mencionada. Pra mim, o Jared já tá com o prêmio em casa. Já meu coração tá muito dividido entre o Matthew e o DiCaprio, e por mim poderiam dar um prêmio pra cada um e tava tudo certo. Enfim: assistam.

HER
(5/5)
Indicado em 5 categorias
(Best Picture; Music - Score; Music - Song; 
Production Design; Writing - Original Screenplay)
 
 Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. *gritos infinitos* Eu não assistia um filme tão delicinha assim desde... Muito tempo. Eu já imagino que não leve lá muito prêmio, se é que leva algum, mas no meu coração você é o campeão, Her. <3 Eu amei tudo nesse filme. T-u-d-o. As atuações, a fotografia, a soundtrack, a história, os dilemas pessoais dos personagens, os quotes... Tudo. Ele é simplesmente super amável. E bem original. Tem Theodore, aquele que não consegue superar um término de relacionamento. Tem a Samantha, um sistema operacional "que promete ser uma entidade intuitiva e única", feita pra entender o seu dono. E tem eles dois "juntos". É no futuro. São as pessoas lutando, incansavelmente, pra serem escutadas, compreendidas e amadas. Só que da forma totalmente errada. Virtualmente errada. E tão errada que o filme acabou e eu quis deletar todas as redes sociais e sair por aí conhecendo gente "real" (não aconteceu, é óbvio).
Depois que soube, porque até então eu não sabia, que o Spike Jonze foi casado com a Sofia Coppola, eu quis assistir Lost in Translation e depois Her e depois Lost in Translation e depois Her e nunca mais parar de assistir esses dois filmes, que pra mim, parecem super sentimentalmente conectados. Além de tudo, tudo o que queria fazer no final do filme era abraçar o Theodore e dizer que tudo tá certo, tudo tá bem, eu juro que você não tá sozinho! Her pra mim foi como respirar um ar puro depois de muito tempo enfiada numa sala respirando o mesmo ar enjoado. Lindo.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

#1 Aquece Oscar 2014

Oi, gente. Olha eu aqui, público não existente. Ando meio preguiçosa e sumida mas juro que tudo tem um bom motivo... Um deles é que tem muita coisa acontecendo na minha vida agora, e muita coisa aconteceu no último um mês e dezoito dias. A outra é que ando assistindo "bastante" coisa e aproveitando as férias pra fazer maratona dos filmes do Oscar.

Então como ando sem ideia e completamente fora de órbita (normal!), decidi ir fazendo umas reviews bem pessoais dos filmes que já assisti e foram nomeados ao Oscar 2014. Os filmes de ~hoje~ são: Gravity, 12 Years a Slave e American Hustle.

Vamos lá (contém spoilers).

GRAVITY 
(3,5/5)
        Indicado em 10 categorias 
(Best Picture, Actress - Leading Role, Cinematography, Directing, 
Film Editing, Music, Production Design, Sound Editing, Sound Mixing, Visual Effects) 
 
Até agora esse foi o meu filme menos favorito. Eu juro que não faço a mínima ideia do que ele tá fazendo no meio dos outros filmes que tão concorrendo. Gente, sério, não rola. Pra mim Gravity é um filme normal que definitivamente não merece o hype que teve. E nem me venha com essa de "mimimi você deveria ter visto em 3D IMAX" porque: não. Se o filme só é bom por causa dos efeitos, que não seja indicado a melhor filme só por causa disso. Sorry. Além do mais, não achei a atuação da Sandra Bullock tudo isso?! Não me levem a mal. Ele é legalzinho, mas não é tudo isso.

12 YEARS A SLAVE 
(4,5/5)
Indicado em 9 categorias 
(Best Picture, Actor - Leading Role, Actor - Supporting Role, Actress - Supporting Role, 
Costume Design, Directing, Film Editing, Production Design, Writing - Adapted Screenplay)
Terminei esse filme e fui direto assistir um episódio de The O.C. pra tirar o amargo que o filme deixou na boca. Achei ele bem pesadinho, e apesar de ter momentos de descontração (eu achei o Michael Fassbender hilário em algumas partes), o filme não tem nada de bonito. Nem o final feliz é feliz de uma maneira que recupere o tapa nas fuças que o filme dá. Concordo com as indicações do filme, apesar de, diferentemente do mundo, não achar que a atuação da Lupita Nyong'o tenha sido essa Coca-Cola toda, mesmo ela sendo super intensa. Além do mais, adorei ver a Suprema e o Sherlock, digo, Sarah Paulson e Benedict Cumberbatch na telinha, pois não sabia que eles faziam parte do filme (traí o IMDB e não consultei ele antes de assistir). Indico o filme, mas só pra quem quiser amargurar um pouco o dia. 

AMERICAN HUSTLE
(3/5)
Indicado em 10 categorias 
(Best Picture, Actor - Leading Role, Actress - Leading Role, Actor - Supporting Role, 
Actress - Supporting Role, Costume Design, Directing, Film Editing, Production Design, Writing - Original Screeplay)
O filme que tinha tudo pra dar certo e não deu. Não sei apontar o dedo no quê ele pecou na hora de (me) convencer, mas não rolou. Os figurinos são lindos. A trilha sonora também. O casting, então, é ~barra pesada~. Mas não rolou. Achei o filme cansativo, bagunçado e dispensável. Eu só me animava quando a Jennifer Lawrence aparecia porque eu adoro ela bancando a louca (nas telas). É um filme feito pela peruca e barriga do Bale e os peitos da Amy Adams (infelizmente -- ou felizmente, dependendo o caso). Vale mais pela caracterização da época do que qualquer outra coisa. As atuações são boas, mas não conseguem fazer o filme sair da zona de "filme superestimado". Se quer assistir American Hustle, assista em casa e com bastante pipoca e comilança, pra fingir que o filme é um pouco mais interessante do que aparenta ser. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Top 10: Year in Review

Deixando de lado a vida pessoal (que nem dá pra fazer um top 10 coisas boas porque não chegaria nem na metade *drama*), decidi fazer um top 10 tudo do ano: filme, série, álbum, livro, site etc etc.

Como o blog anda parado pois vossa autora é preguiçosa, prometo tentar deixar esse post o mais bonitinho possível e ainda assim prometo tentar evitar aquela bíblia de sempre.



10. Andrewknapp instagram
O meu instagram favorito de todos os tempos. Não preciso falar muito, e garanto que vocês não precisam de três fotos pra se apaixonar pelo Momo feito eu (ao não ser que vocês não tenham coração). Então, sigam ele e sejam felizes. 


9. Lorde
Acho que quase todo mundo já está familiarizado com a música Royals dela, né, gemt? Fala sério. Essa cantora neozelandesa caiu de tabela (e pelo tumblr, obviamente) nos meus ouvidos. E agora ela não larga meu last.fm, nem meu celular, nem minha conta do 8tracks, nem minha conta do Grooveshark...


8. Red Wedding (adaptação)
Vou poupar meus dedos porque vocês que assistiram nem precisam que eu repita tudo o que eu já falei. Honestamente, ainda lembro de ter ficado atônita na frente da tv depois de assistir a cena. E mais honestamente ainda, vai ser 2070 e eu não terei superado ela. 


7. Orange is The New Black
Uma das grandes estreias do ano, e provavelmente uma das poucas que tive vontade de assistir, OITNB era tudo o que faltava na tv. Afinal, todo mundo quer saber o que se passa numa prisão só para mulheres (e mulheres de todos os tipos) dos EUA. Então, quem não assiste é quem sai perdendo.


6. 8tracks
O site queridinho de 2013. Basicamente, você escuta playlists de acordo com o teu humor, ou teu otp, ou teu fandom favorito, ou tua banda favorita, ou tudo isso misturado. Ou seja: perfeição define. 

Praticamente o post que ~estreou~ o blog foi o post que eu fiz rasgando seda pra MMFD. Então acredito que não preciso repetir tudo novamente. De qualquer forma, essa série que já tá entre as minhas favoritas, foi uma das melhores coisinhas de 2013. ♥

4. Catching Fire (adaptação)
God bless Frances Lawrence. Essa adaptação de Catching Fire foi tudo o que os fans pediram a R'hllor. Tudo e mais um pouco, pra falar a verdade. Não lembro de ter ficado tão satisfeita com uma adaptação desde... Sempre. Por esse motivo leva o quarto lugar do ranking, uhul.
3. AM
Sabe aquelas pessoas que tem preguiça de ouvir alguma banda porque acha que é mais do mesmo? Era eu com Arctic Monkeys. Ainda bem o AM veio pra me dar um tapa na cara e me mostrar o quanto eu perdia em não escutar essa banda. Além do mais, posso quase apostar que o AM é um dos meus álbuns favoritos ~ever~.

2. Orphan Black
falei, falei, falei e falei de Orphan Black. Já rebloguei, favoritei, dei like, comentei e indiquei Orphan Black. A melhor estreia de 2013, na minha opinião, merece mais do que tudo ocupar o segundo lugar dessa lista. Na real, merece mais do que tudo ser reconhecida por todo mundo. Ou seja: assista.



1. Segunda parte da 5ª e última temporada de Breaking Bad
Olá, você tem um tempo para falar de Breaking Bad? Olá, você realmente achava que qualquer outra coisa ocuparia o primeiro lugar além de Breaking Bad? É. Foi o que pensei. Não bastasse as oitos reviews aflitas dos últimos oito episódios, não bastasse o series finale, não bastasse nada disso pra me fazer deixar de lado esse vício. Não aconteceu. Nem vai. Breaking Bad vai ocupar #1 provavelmente para sempre. Então, obviamente, aqui está em primeiro lugar a melhor coisa de 2013. ♥

domingo, 17 de novembro de 2013

Catching Fire

Li a trilogia de The Hunger Games no final de 2011 e minha memória pra livro só funciona assim: leio, lembro de tudo e depois só lembro das coisas importantes. Ainda mais quando os livros ficam atrás de livros com 800-e-poucas-páginas-que-eu-não-preciso-nem-falar-o-nome-porque-vocês-já-conseguem-imaginar-quais-sejam.

De qualquer forma, fui pro cinema na noite de Sexta-feira com a mesma animação que fui em Março de 2012 assistir a estreia da trilogia. Apesar de eu e minhas amigas sermos obrigadas a esperar mais meia hora do que o horário previsto (maldito projetor queimado!!!), quando entrei na sala tudo o que eu pensava era: COMEÇA DE UMA VEZ!

E mesmo com o coração apertado achando que esse filme iria me decepcionar, uma vez que trocaram o diretor de um filme pro outro, tentei acalmar os ânimos negativos e simplesmente esperar pelo início do filme pra depois tirar minhas próprias conclusões.


E, gente, que filme! Apesar de não lembrar com memória fresca de todos os detalhes sórdidos do Catching Fire, mesmo esse sendo meu livro favorito dos três, eu saí do filme mais satisfeita impossível.

Não parei pra ler as críticas e as opiniões de outras pessoas pra saber o que andam pensando, mas eu com toda certeza adorei o filme. As atuações estão impecáveis, os efeitos, as falas... A adaptação inteira foi muito bem feita e de muito bom gosto.

Deu pra rir, pra chorar, pra ficar com raiva, e ainda mais: sair do cinema sem conseguir parar de pensar "CADÊ MOCKINGJAY PARTE I??????????", especialmente mais depois daquela cena final onde tu pensa: "shit is getting real".

O filme é visualmente lindo. A JLaw tá (ainda mais) se superando. O Sam Claflin, pra quem torci o nariz primeiramente, interpretou um Finnick pra lá de bom. A Jena Malone como Johanna foi simplesmente tudo e mais um pouco do que eu esperava. As cenas no Distrito 12, na Capital e na arena (!!!) foram além da expectativa. Todo o filme foi bem casado com uma trilha sonora que tem o mesmo nível de awesomeness do primeiro filme. 

Então, pra não perder a graça contando tudo, corram pro cinema e assista Catching Fire que eu (quase) prometo que vocês não vão se decepcionar.
© AAAAAA
Maira Gall