quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Be - espinha ereta - Yoncé

Mamãe me xinga quando me vê no PC. Isso, no PC mesmo. Algo dentro de mim é muito oldschool, e também pobre, porque eu não tenho notebook. Eu Ana. Meu pai tem o dele que atualmente está com a minha irmã em terras porto alegrenses, mas eu não tenho notebook, eu gosto é de PC. 

Mas minha mãe me xinga quando me vê no PC. E eu sei que vocês sabem o porquê. Não deve ser só eu. Duvido que seja só eu. A história clichê vai mais ou menos assim: em um momento está a Ana sentada certinha, dando orgulho aos fisioterapeutas por aí, e então, 47 segundos depois, cortando a cena, tem uma Ana muito mal sentada na frente do PC, dando orgulho aos meus ancestrais corcundas. 

Então a mãe entra na cena e "ANA CLAUDIA AJEITA ESSA COLUNA", aí a Ana diz "sim aff mãe". E 47 segundos depois... Bem, vocês pegaram a ideia.


O problema é: postura é bom, é importante, há bocas que dizem que nosso corpo trabalha melhor e nós cansamos menos quando estamos com a postura correta, mas eu tô penando muito tentando educar a minha. 

Por ter um nível baixo de escoliose anos atrás, eu comecei sessões de RPG (reeducação postural global) quinzenalmente. Não era muito, mas ajudava. Gostaria muito de voltar, mas o valor não é muito doce e eu tenho faculdade pra pagar. Mas ajudava. Eu sentia que ajudava, apesar de sofrer muito durante aquela hora que ficava lá. Aquela combinação de eu, mais a fisio, mais uma bola de pilates, muitas cordas, e uma maca... Era louco. Parece sadomaso mas é só RPG. E ajudava. 

Mas então eu cresci, minha fisioterapeuta parou de atender, eu comecei a trabalhar (no PC, obviamente), e o downhill foi grande. Meu vício de usar o PC não passou, então quando não estou usando no trabalho, talvez eu esteja usando em casa rebloggando foto de cachorro no tumblr. Alguns anos depois eu ganhei um smartphone e comecei a poder checar o Instagram e o Facebook sem me estressar em abrir os sites no PC (eu ainda abria), então o pescocinho começou a se ocupar olhando pra baixo pra dar uma checadinha. Só que o smartphone não era tão bom, então eu comprei um celular decente. E aí eu tinha (e ainda tenho) tudo a cinco cliques de distância. Instagram, Facebook, Twitter, Tumblr, Whatsapp, Kim Kardashian e Candy Crush. Graças a tecnologia, o vício no PC não só não passou mas como também eu ganhei outro. Adicionado nessa mistura ainda tem meu adorado vício em assistir TV  ̶̶̶̶̶̶̶̶  que não ajuda; minha impossibilidade de estudar com gente junto   ̶̶̶̶̶̶̶̶  o que me faz estudar em cima da cama, Torta Daquele Jeito; mais meu vergonhoso sedentarismo, que só piora tudo.

Eu comecei a sentir reflexos disso tudo, é claro. As dores nas costas são mais recorrentes. Às vezes meus ombros doem tanto e tensionam tanto que só a base de massagem e Tandrilax (tá aí um jabá que me faria feliz) pra resolver (ou enganar) um pouco. Semana passada comecei a sentir dor no punho e mão direita. Ou seja, um pacote meio desesperador pra alguém que pretender viver muito que nem eu. 

Então há algumas semanas eu comecei a me monitorar. Tentar ajeitar minha postura. Passo minutos me encarando no espelho e vendo as diferenças corporais que acontecem quando eu fico normal (tortinha) e quando eu fico reta. Quando coloco uma roupa mais bonitinha aí sim a diferença é gritante  ̶̶̶̶̶̶̶̶  experimentei com um vestido bonito que comprei e fiquei chocada. Porque sim, postura é importante, mas aff, é tão difícil de ajeitar. 

Comecei a procurar exercícios na internet pra melhorar a postura em casa. Hoje baixei um aplicativo no celular, que ainda não testei, que ensina exercícios de 15 minutos pra fazer por dia e melhorar a coluninha. Quando eu passo na frente de espelhos e vidros que dão reflexos, não, eu não tô me admirando ou me achando linda, eu só estou checando a minha postura. Eu até criei um mantra maravilhoso que diz que "Beyoncé não gostaria disso, eu sou Beyoncé quando tô com a postura reta". Então quando eu fico que nem uma estranha me ajeitando na rua, é porque a minha mente tá dizendo "Seja Beyoncé. Be Yoncé. Isso não é muito Beyoncé de você, Ana Claudia", e eu juro que é tão eficaz quanto a mamãe gritando pra eu ajeitar a coluna. 
© AAAAAA
Maira Gall